Resenha – Cidade de Estrelas Caídas e Ira – Entre a fé, o apocalipse e o desconforto

Capa do livro Cidades de Estrelas Caídas e Ira

Confesso que pensei bastante antes de falar sobre esse livro. Pois, como leitora católica, houve um momento específico da história em que me senti diretamente atacada. Ainda assim, decidi compartilhar minha experiência, porque para mim uma parte problemática no livro não apaga completamente tudo o que a leitura oferece!!

Estamos diante de uma distopia cristã ambientada no apocalipse, que começa exatamente no dia do arrebatamento. A história acompanha Zara, uma jovem que viveu toda a vida sem saber que era uma zelote, e que faz parte de uma antiga profecia.

A vida de Zara se transforma completamente quando seu irmão é arrebatado. A partir daí, ela descobre que sua existência se tornou palco de um pacto entre Deus e Lúcifer! E após ser atacada por um demônio, ela é encontrada por Zion, um zelote capaz de entrar em sua mente, que a leva para a Academia de Zelotes. É nesse ambiente que Zara começa a descobrir a verdade sobre a criação, sobre Deus e, principalmente, sobre si mesma.

A leitura é extremamente contagiante. A autora construiu um universo distópico muito bem amarrado, que desperta curiosidade constante. A escrita é fluida, envolvente, e você realmente não consegue largar o livro. É fácil se perder naquele mundo e querer entender cada detalhe do apocalipse apresentado.

Por se tratar de uma ficção cristã, o livro é repleto de referências bíblicas e religiosas. O leitor descobre, junto com Zara, reflexões sobre Deus e sobre a própria fé, o que torna a jornada ainda mais interessante.

No entanto, em cerca de 81% da leitura, a narrativa toma um rumo que me causou bastante desconforto. Os zelotes enfrentam uma batalha no Vaticano, e nesse momento surge uma crítica direta e, ao meu ver, totalmente desnecessária ao catolicismo. Pois o livro afirma que os católicos inventaram uma “terra santa”, criaram uma fé cheia de espetáculos e vivem uma mentira.

Eu entendo que se trata de uma ficção cristã protestante e que, naturalmente, ela nega pontos da fé católica. Ainda assim, me senti desrespeitada de uma forma gratuita dentro de uma história que eu estava gostando muito. Cheguei a cogitar abandonar a leitura, mas já estava perto do final e quis saber como tudo se encerraria.

Outro ponto que não me conquistou foi o romance entre Zara e Zion. Fui completamente envolvida pelo universo, pela Academia de Zelotes, pelos artefatos religiosos e pelo apocalipse — mas o casal principal não brilhou para mim. Senti pouca química entre eles e, sinceramente, o fato de Zion conseguir entrar na mente de Zara me deixou bastante desconfortável. Um relacionamento onde o parceiro lê seus pensamentos não me parece nada saudável.

Ainda assim, no geral, é uma boa história, com um universo riquíssimo que proporciona exatamente aquilo que nós, leitores, tanto amamos: viajar para mundos inexistentes e imaginar novas realidades.

No fim das contas, vale totalmente as mais de 600 páginas lidas.


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