
Escrever sempre foi uma forma de terapia. É o jeito que encontrei de colocar para fora sentimentos que tenho medo de revelar! Sim, medo. Medo de contar ao mundo o que sinto. É curioso como falar sobre política, religião ou qualquer assunto polêmico é muito mais fácil. Mas quando o assunto é sentimento… tudo trava.
Quando eu era mais nova e começava a gostar de algum menino, guardava esse segredo como se fosse em um cofre trancado. Era puro medo e vergonha! Vergonha essa que nem sei explicar de onde vinha. Havia também o receio da rejeição. Eu não era a menininha mais bonita da escola; na verdade, era o patinho feio consciente de que os meninos não cairiam aos meus pés. Muitos, inclusive, se desviavam de mim. E, por isso, era mais seguro calar meus sentimentos, sufocando-os no peito até quase explodir. Mas eu sabia que, por dó, eles aguentariam mais um pouco ali dentro.
Cresci com esse medo. Falar sobre sentimentos? Jamais. Era um assunto proibido, inexistente no meu vocabulário. Então me fechei completamente para as paixonites adolescentes. Enquanto minhas amigas tinham namoradinhos e grandes amores, eu mergulhava nos meus livros e seriados. Criei para mim um mundo oposto, um mundo onde vergonha e medo não existiam.
Mas sentimentos guardados por tempo demais sempre cobram um preço. Depois de tanto sufocá-los, eles simplesmente explodiram. Não tiveram mais dó de mim. Queriam me dar uma lição.
Foi então que escrever se tornou meu alívio, a forma de esvaziar o peito para que ele pudesse, enfim, respirar. A escrita foi a terapia que me permitiu enxergar o mundo real com um pouco mais de cor e, ao mesmo tempo, destruir o pequeno universo perfeito que eu havia criado… ou ao menos abrir uma fresta nele.
Claro, meu mundo particular continua existindo….
E o que realmente quero dizer, mesmo que este texto esteja indo por muitos caminhos, é que escrever me mostrou que o mundo real também pode ser bom. E, quando ele não for, eu escrevo e isso me dá uma lente melhor para enxergá-lo.
Aqui, neste espaço, consigo finalmente falar sobre sentimentos sem sair correndo, sem ficar vermelha, sem sentir as orelhas queimarem. Ao escrever, os sentimentos se tornam normais, aceitáveis. E eu também me aceito do jeito que sou — mesmo que, nessa forma, ainda me veja como o patinho feio da escola.
Talvez seja um dom de Deus. Talvez seja só meu jeito de não enlouquecer. Mas, de algum modo, a escrita me torna minha própria psicóloga quando releio os textos que deixei para trás…..






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