
Às vezes eu fico me perguntando — e talvez você também — se quando alguém diz que temos “alma de artista” isso é mesmo um elogio.
Porque, veja bem, alma de artista não costuma ser leve….
É uma alma sofrida, aprisionada dentro de um coração que sente demais, que grita demais, que se cala demais. Uma alma que carrega solidões que nem sempre sabem se explicar.
Todo artista, no fundo, é um pouco sofredor.
E não falo daquele sofrimento dramático de filme, mas do cotidiano mesmo: do peso de existir sentindo tudo em excesso. O artista deposita na própria arte o peso da vida que vive e, muitas vezes, da vida que não viveu. Sonha com um passado que já não existe e com um presente que parece sempre meio fora do lugar. Arrota sentimentos engasgados e, quando não aguenta mais, vomita saudade em forma de texto, música, pintura ou silêncio.
Artista é um ser enigmático.
Cheio de mistérios que nem ele mesmo sabe decifrar. É ventania em dia de calmaria, é gritaria no meio do silêncio. Ter alma de artista é angustiante porque os sentimentos não sabem para onde ir. Eles ficam ali, vagando, batendo nas paredes do peito, pedindo abrigo.
É uma alma cheia de porquês sem resposta.
E aí eu me pergunto — de novo — será que ter uma alma assim é algo bom? Será que essa indecisão constante, esse sentir exagerado, esse coração inquieto… é mesmo um elogio?
Ou será só mais um jeito bonito de dizer que a gente sente demais?
Não sei.
Não sei as respostas de quase nada. Ou talvez de quase tudo.
Não sei se foi.
Não sei se ficou.
Só sei que, se isso é ter alma de artista, então talvez o elogio venha acompanhado de um certo cansaço e de uma estranha vontade de continuar, mesmo assim, sentindo tudo.






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