
Hoje eu só queria chorar e nem sei ao certo o motivo.Talvez seja esse vazio existencial que se ajeita no peito como quem ocupa um espaço que não foi convidado. Um coração confuso, cheio de traumas que aparecem de repente, como relâmpagos em céu limpo. Talvez seja a desesperança de acreditar que, um dia, meus sonhos mais escondidos finalmente se desenrolem, criando forma, voz e destino.
Hoje, eu quero chorar a inexistência de sentimentos ou, quem sabe, o exagero deles. O sentir demais, que faz o coração pular pela boca, enquanto as lágrimas descem como se carregassem o peso do mundo. Hoje eu queria esquecer que todos vocês seguiram em frente enquanto eu continuo aqui, presa na mesma estação, esperando um trem que talvez nunca venha. E, acima de tudo, eu queria saber transformar tudo isso em textos complexos, profundos, certeiros… e não apenas em palavras soltas, desconexas, lançadas ao vento.
Mas as lágrimas que caem ecoam no peito e cada gota parece bater contra o coração apertado, dilacerado, tentando explicar o porquê de ser assim. Quais são as penas necessárias para entender as confusidades que nos atravessam? Onde é que se encontra o manual para decifrar essa bagunça que chamamos de sentir?
Hoje eu só queria chorar.
E, quem sabe, começar a entender.






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