
Nunca me considerei uma pessoa excepcional em nada. E não digo isso por falsa modéstia ou para fazer drama, é só a minha percepção honesta de quem eu sou!
Na escola, por exemplo, eu sempre fui a famosa “mediana”. Minhas notas não eram ruins (tirando matemática, logicamente, que sempre foram PESSIMAS), mas também nunca foram brilhantes. Eu não tirava 3, (Em matemática eu tirava ZERO MESMO) nem 10. Ficava ali, confortavelmente estacionada entre o 5 e o 7. Na faculdade, a história mudou um pouco, porque a média mínima era 7,5 — e, obrigada, FAPCOM, por me ensinar a conviver com a pressão de achar uma nota 6 é horrível!
Sempre vivi nesse espaço do meio. Do “tá bom”, do “dá pro gasto”, do “não é ruim, mas também não é incrível”.
Talvez eu seja mesmo mediana em tudo o que faço. Eu sei fazer, não faço mal, mas também não me sinto maravilhosa. E, às vezes, me pergunto se o problema não é a régua que eu uso comigo mesma. Talvez seja alta demais. Talvez seja perfeccionismo. Talvez seja só esse hábito estranho de nunca achar que é suficiente.
Queria ser excepcional em algo? Claro que sim. Principalmente na escrita. Talvez um dos meus maiores sonhos seja ser uma escritora que toque as pessoas de verdade, que deixe marcas, que seja lembrada. Mas, enquanto isso não acontece, eu vou me alimentando dessa ideia de ser apenas “Ok”.
Eu evito a palavra “medíocre”, mas confesso que, em alguns dias, ela ecoa dentro de mim com uma força que eu preferia não ouvir.
Às vezes penso que talvez eu nunca alcance o sucesso naquilo que amo por ser só mais uma no meio da multidão. Em outros momentos, acredito que essa sensação constante de ser “apenas mediana” é justamente o que me empurra para frente, o que me faz tentar de novo, escrever mais uma página, sonhar mais um sonho.
Mas, depois de um tempo, cheguei a uma conclusão que mudou um pouco a forma como eu me enxergo: eu prefiro ser uma “mediana” feliz do que uma “excepcional” infeliz.
Prefiro seguir fazendo aquilo que amo, mesmo que não seja perfeito, mesmo que não seja grandioso aos olhos do mundo. Porque, no fim das contas, talvez a verdadeira exceção não seja ser extraordinária, mas ser fiel ao que faz o coração bater mais forte.
E assim eu sigo: entre a média e o extraordinário, tentando encontrar beleza no caminho, não apenas no resultado. Quem sabe, um dia, eu descubra que ser “mediana” também é, de certa forma, extraordinário.






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