A Beleza que Reflete o Criador: Por que o autocuidado não é futilidade

O autoconhecimento caminha lado a lado com a nossa intimidade com Deus. Quanto mais nos aproximamos do Criador, mais conhecemos a nós mesmos e compreendemos nossas falhas e limitações. Acredito genuinamente que, quanto mais amamos a Deus, mais somos capazes de nos amar e, consequentemente, de amar o próximo, cumprindo, assim, o mandamento que Ele nos deixou.

Afinal, a Escritura diz: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. Mas como poderíamos amar o outro se, antes de qualquer coisa, não nos amarmos? É claro que o amor-próprio exacerbado se transforma em orgulho e vaidade, afastando-nos do propósito divino. Tudo o que é exagerado perde o equilíbrio, inclusive o amor.

No entanto, quando nos amamos e passamos a nos conhecer, o cuidado com o corpo torna-se uma consequência natural. Não se trata de pura vaidade ou de uma futilidade puramente estética; pelo contrário, percebemos a necessidade de zelar por aquilo que é o templo do Espírito Santo.

Mas existe uma linha tênue aqui. Muitas vezes, fomos ensinados — inclusive dentro da própria igreja — a enxergar o autocuidado como algo fútil. Contudo, precisamos entender que esse zelo é, na verdade, uma forma de respeito e gratidão pelo que Deus nos confiou. E conseguimos diferenciar esses extremos à medida que aprofundamos e sustentamos nossa intimidade com Cristo.

A cada dia compreendo mais que é justamente essa intimidade que nos mostra a importância de um amor-próprio singelo e digno. Que possamos entender, de uma vez por todas, que a beleza não é futilidade, mas uma necessidade de expressão. Somos capazes de enxergar Deus no belo. Fomos chamados para exalar a Sua essência para o próximo, e como faremos isso se formos desleixados e não cuidarmos de nós mesmos?

Pense bem: você se interessaria em ouvir sobre a modéstia ao encontrar uma mulher que se diz “modesta”, mas vive completamente desleixada? Alguém com roupas desalinhadas que não a valorizam, cabelo mal arrumado e unhas descuidadas? Muitas vezes, negligencia-se a aparência em prol de uma ideia distorcida sobre o que é a vaidade.

Pelo contrário, quando estamos bem-apresentadas e nos cuidamos, somos capazes de refletir a harmonia e o belo de Cristo, exalando o Seu bom perfume…

Que possamos nos cuidar, não apenas por nós, mas também pelo outro e por Deus. Que possamos olhar para nós com o mesmo olhar de amor que Deus nos olha.


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