
Eu conheci Asiáticos Podres de Ricos primeiro pelo filme, disponível no Prime Video, e simplesmente amei cada segundo. Tanto que, assim que terminei, coloquei o livro na minha lista de leituras. O problema é que demorei uma vida para finalmente pegar o livro para ler. Mas, depois de muito tempo, finalmente li; e posso dizer que gostei ainda mais da história no livro.
Publicado originalmente em 2013, Asiáticos Podres de Ricos, de Kevin Kwan, apresenta ao leitor um universo de riqueza, tradição, ostentação e disputas familiares dentro da elite asiática. A história se passa principalmente em Cingapura e acompanha famílias extremamente ricas, cujas fortunas são acompanhadas por regras sociais, preconceitos e expectativas familiares.
O livro acompanha Rachel Chu e Nicholas Young, um casal que vive em Nova York e está junto há cerca de dois anos. Eles moram juntos, têm uma relação aparentemente tranquila e Rachel acredita conhecer bem o namorado.
O que ela não sabe é que Nick pertence a uma das famílias mais ricas e tradicionais de Cingapura. E, quando os dois viajam para o país para participar do casamento do melhor amigo de Nick, Rachel conhece a família do namorado e finalmente descobre que o namorado é muito mais rico do que ela poderia imaginar.
A partir daí, Rachel se vê no centro de um universo completamente diferente daquele que conhece. E o dinheiro, obviamente, não vem sozinho. Ele traz consigo preconceitos, rivalidades, fofocas, disputas familiares, expectativas matrimoniais e uma quantidade absurda de ostentação.
Mas Rachel e Nick não são os únicos personagens importantes da história.
Um dos núcleos que mais gostei de acompanhar foi o de Astrid Leong, prima de Nick. Astrid é linda, elegante, extremamente rica e considerada uma das mulheres mais desejadas daquele círculo social. Porém, apesar de ter nascido em uma família muito mais rica, ela é casada com Michael, um homem de origem financeira muito inferior à dela.
E é justamente aí que sua história se torna interessante. Astrid passa boa parte do casamento tentando diminuir a própria posição social para que o marido não se sinta inferiorizado. É um relacionamento que mostra como dinheiro, orgulho e expectativas sociais podem interferir demais em uma relação amorosa.O fato é que para mim, Astrid é uma das melhores personagens do livro, senão talvez a melhor!!
Uma das coisas que mais gostei em Asiáticos Podres de Ricos é que, apesar de Rachel e Nick serem apresentados como o casal central, não sinto que eles sejam necessariamente os verdadeiros protagonistas da história. Para mim, o grande protagonista é a própria aristocracia de Cingapura.
Kevin Kwan constrói um retrato de uma elite extremamente fechada, em que dinheiro não significa necessariamente pertencimento. Existe uma diferença enorme entre ser rico e pertencer às famílias certas. E é justamente aí que Rachel enfrenta seu maior problema.
Ela não está apenas entrando em uma família rica. Ela está entrando em uma sociedade com códigos próprios, tradições próprias e uma visão muito particular sobre quem pertence ou não àquele mundo.
Um dos aspectos mais interessantes é também a rivalidade entre as famílias tradicionais de Cingapura e os chamados “novos ricos”, especialmente aqueles vindos da China continental. Existe uma hierarquia social dentro da própria elite e eu achei isso muito interessante.
A leitura também funciona porque o livro não se leva excessivamente a sério. A escrita do autor é sarcástica, divertida e, muitas vezes, exagerada de propósito. A quantidade de riqueza apresentada chega a ser absurda, mas é justamente esse exagero que torna algumas situações tão divertidas.
E existe ainda uma questão que considero muito interessante na experiência de leitura: o choque cultural e social. Pois essa é uma realidade completamente diferente da minha. E esse é justamente um dos motivos pelos quais eu gosto tanto de ler.
Por mais confortável que alguém possa estar financeiramente no Brasil, é difícil imaginar a realidade de famílias milionárias de Cingapura que possuem aviões particulares, casas gigantescas, festas extravagantes e uma rede social na qual até mesmo o sobrenome pode determinar seu lugar.
A literatura nos permite conhecer mundos que provavelmente nunca teríamos a oportunidade de conhecer pessoalmente.
E Asiáticos Podres de Ricos faz isso muito bem.
Além disso, depois de assistir ao filme, foi muito interessante perceber quantos detalhes do livro não chegaram à adaptação. O filme funciona muito bem sozinho, mas o livro amplia bastante aquele universo e permite conhecer melhor personagens e relações que acabam ficando em segundo plano na adaptação.
Se eu já tinha amado o filme, posso dizer que gostei ainda mais do livro.
É uma leitura divertida, sarcástica, cheia de personagens interessantes e com uma crítica social que aparece justamente por trás de toda aquela ostentação.
Rachel e Nick continuam sendo importantes, mas, para mim, a verdadeira graça está em acompanhar aquela família e descobrir as regras, rivalidades e absurdos daquele universo.
E, obviamente, agora quero continuar acompanhando as loucuras dessas famílias nos próximos livros da trilogia.
Se você gosta de romances com conflitos familiares, personagens ricos e extravagantes, diferenças culturais, fofocas, rivalidades e muita ostentação, Asiáticos Podres de Ricos pode ser uma ótima leitura.






Deixe um comentário