Resenha: Se pudesse contar as estrelas — uma fantasia cristã intensa e surpreendente

Se pudesse contar as estrelas, da autora Becca Mackenzie é uma ficção cristã com inspiração em Peter Pan, e o primeiro livro de uma duologia que mistura fantasia, espiritualidade e temas profundamente humanos. A obra acompanha a trajetória de Alisson Rivers dos 8 aos 21 anos, em um universo original, com regras próprias e uma proposta ousada dentro da literatura cristã.

A história se passa em um mundo em que as chamadas “crianças perdidas” são, na verdade, crianças que foram abortadas aqui na Terra, e que agora vivem em uma nova realidade. Na história, acompanhamos o desejo intenso de Alison de conhecer a mãe que a rejeitou na Terra.

Ao longo da narrativa, acompanhamos seu crescimento, seus conflitos internos e sua busca por identidade, pertencimento e amor. Tudo isso dentro de um universo ricamente construído, com elementos únicos — inclusive um sistema próprio de tempo e um mapa que ajuda o leitor a se situar nesse novo mundo.

Confesso que o início do livro não me prendeu tanto. Demorei para engrenar na leitura e me conectar com os personagens, e acredito que os capítulos curtos dificultaram um pouco esse apego inicial.

Mas do meio para o final… meu Deus. A história ganha uma força absurda.

É uma narrativa reveladora, real e profundamente reflexiva. Não é uma “história bobinha de crente” — muito pelo contrário. O livro aborda temas pesados como drogas, tentativas de suicídio e dor emocional, trazendo uma visão honesta sobre as fragilidades humanas.

E é justamente aí que ele brilha: ao nos fazer refletir sobre o amor de Deus, nossas falhas, nossos objetivos e esse constante cair e levantar da vida.

Para mim, a construção do mundo é um dos pontos mais altos. Pois a autora criou uma realidade completamente nova, com regras próprias, e isso instiga demais a curiosidade do leitor. Pelo menos eu fiquei fascinada por cada descoberta desse novo mundo.

Outro ponto muito forte é a dinâmica entre as crianças e suas mães biológicas — especialmente no caso da Alisson, cuja expectativa de reencontro move grande parte da narrativa. É impossível não se envolver emocionalmente com isso.

Foi uma leitura que me fez sentir tudo: eu rezei, chorei, ri, fiquei com raiva, fechei o livro indignada e abri de novo cheia de curiosidade.

Apesar de um início mais lento, “Se pudesse contar as estrelas” entrega uma experiência intensa, profunda e transformadora.

É com certeza um livro que exige emocionalmente, mas que também toca a alma e nos aproxima de reflexões espirituais muito verdadeiras. Então recomendo muito a leitura e agora eu só consigo pensar em uma coisa: preciso do próximo livro.


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Prazer, Grazi

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