
A morte do meu cachorro levou com ela um pedaço importante do meu coração. E eu sei que, quando um cachorro morre, sempre aparecem pessoas para opinar. Sempre haverá alguém pensando — ou dizendo —: “Ah, mas era só um cachorro.”
Mas não. Ele não era só um cachorro….
Ele era meu suporte emocional, minha segurança, o ser vivo por quem eu me esforçava todos os dias para dar a melhor vida possível.
Hoje eu escrevo este texto e olho para o cantinho dele… e ele não está lá. E esse simples vazio abre um buraco enorme no meu peito. Saio de casa e sei que ele não vai mais me receber como antes. Não vou mais encontrar aqueles olhinhos brilhantes, cheios de amor, me esperando na porta.
E sim, eu também tenho consciência de algo que muitos gostam de repetir: ele não era meu filho. Eu sei disso. Sei que uma vida humana tem um valor incomparável.
Mas reconhecer isso não diminui em nada a importância que ele teve na minha vida. Não apaga o amor, o cuidado e o carinho que eu senti por aquele serzinho que dividiu tantos dias comigo.
Alguns talvez pensem que eu sou menos cristã por amar um cachorro como amei o meu Bethoven. Talvez pensem que, por eu não conseguir engravidar ainda, eu o tratei como filho.
Mas essas pessoas não estavam aqui.
Não estavam nos dias em que meu único suporte emocional era ele.
E também se esquecem de algo muito simples: São Francisco de Assis nos ensinou a amar toda a criação de Deus. E um cachorro — com sua lealdade, sua alegria e seu amor puro — é uma das criações mais bonitas que existem.
A dor que estou sentindo é real. É pesada. É um vazio que ecoa pela casa. E dói ainda mais quando tentam diminuí-la, como se existisse uma régua para medir o tamanho da dor de alguém.
O mundo está cheio de fiscais de tudo e, às vezes, também de fiscais da dor alheia.
Mas a verdade é simples:
Ele não era só um cachorro.
Ele foi meu escudo, meu companheiro, meu melhor amigo.
E agora, sem ele, existe um silêncio diferente na casa. Um vazio na rotina. Um espaço aberto no meu coração.
Quem acha que um cachorro é “só um cachorro” talvez ainda não tenha aberto o coração o suficiente para conhecer o amor de um ser de quatro patas — um amor que não exige nada, que não julga, que simplesmente existe.
Meu Bethoven, meu querido Bethoven…
Você não foi só um cachorro. Você foi o primeiro cachorro que era realmente meu. A primeira vez que me vi responsável por uma vida que não fosse a minha. E por tudo isso, vou sentir uma saudade profunda, dessas que apertam o peito….
Mas junto da saudade também existe gratidão.
Gratidão por você ter entrado na minha vida.
Gratidão por ter me ensinado, todos os dias, a forma mais pura de amor: amar sem esperar nada em troca.







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