Quando as vozes vencem o dia

Todos os dias travo uma batalha silenciosa contra as vozes que habitam minha cabeça. Na maioria das vezes, consigo seguir em frente, fingir que elas não existem. Mas hoje foi diferente, pois elas venceram.

Hoje foi o dia em que, mesmo cercada de pessoas, eu me senti sozinha! Como se a minha presença fosse um peso, como se eu fosse apenas um incômodo, um erro fora do lugar, algo pequeno demais para alguém se importar.

Eu olho para mim e, muitas vezes, só enxergo mediocridade. Ainda assim, todos os dias tento ser mais do que isso. Tento me superar, tento ser melhor. Mas há momentos em que a luta cansa, em que o corpo e a alma pedem trégua, em que a vontade de continuar simplesmente se esgota. E a gente não desiste por falta de sonhos, mas por excesso de cansaço.

Queria deixar de sentir tanto!!! Ou talvez deixar de não sentir nada e, ao mesmo tempo, sentir tudo de uma vez. Queria encontrar palavras para explicar essa dor que mora aqui dentro e que muda de forma, de nome e de peso, mas nunca vai embora. Queria silenciar as vozes que insistem em repetir, como um eco, tudo aquilo que eu mais temo acreditar….

Eu só queria pensar menos, sentir menos. Não ser essa explosão de sentimentos que se espalha pelos quatro cantos e alcança pessoas demais.

Queria pedir menos desculpas. Me calar menos por medo e falar mais por coragem. Queria, principalmente, aprender a gostar de mim. Olhar no espelho e sentir orgulho, não cobrança. A luta é diária, incansável e eu perco com uma frequência, que sinceramente desgasta. Perco a força, perco o ânimo, perco a vontade de tentar. A verdade, é que às vezes, sinto que só perco.

Hoje eu tentei. E hoje as vozes ganharam a batalha. Mas, no fundo, ainda guardo a esperança silenciosa de que não vençam a guerra. Porque, mesmo cansada, alguma parte de mim ainda acredita que existir também pode ser um ato de resistência.


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Prazer, Grazi

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