
Às vezes o coração não se parte de uma vez. Ele se desfaz aos poucos….
Primeiro vêm as vozes.
Aquelas que não se desligam.
Aquelas que insistem em repetir a mesma coisa, como um eco preso dentro da cabeça.
Elas falam tantas coisas ruins sobre você que, naquele instante, parece verdade.
O silêncio pesa.
O peito aperta.
E dentro da mente surge um monstro de mil cabeças que não se cala.
Ele grita.
Grita de novo.
E grita mais uma vez.
O monstro de mil cabeças não me deixa descansar.
Você já se sentiu assim?
Tão, mas tão só, que a única vontade é desaparecer dentro de uma bolha, longe de tudo e de todos?
Às vezes a solidão não é apenas estar sem pessoas.
É sentir que você não pode ser visto.
É sentir que, se falar, talvez esteja incomodando.
E o pior de tudo é a vergonha….
Vergonha de sentir tanto.
Vergonha de ser assim.
Vergonha desse turbilhão dentro de mim que parece não caber em lugar nenhum.
Existe uma vergonha silenciosa em ser quem se é quando a própria alma parece um campo de batalha. Mas talvez escrever seja a única forma de respirar no meio disso tudo.
Talvez colocar essas palavras no papel seja uma maneira de lembrar que, mesmo quando a dor grita alto demais, ela ainda pode ser transformada em algo que não nos destrua por dentro.
Talvez escrever seja apenas isso:
um jeito de sobreviver!






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