
Eu sofro da mente inquieta….
São opiniões demais, sobre coisas demais. Pensamentos que não se calam nem por um instante. Às vezes, uma opinião forte que nem precisava existir, mas nasce, cresce e ocupa espaço. Há assuntos nos quais eu simplesmente não consigo entrar em discussão. Pois, falar me atropela, e aqui, no silêncio das palavras escritas, é diferente.
O texto é mais limpo.
Mais simples.
Sem exageros, sem sentimentos transbordando pelos cantos.
A palavra falada me deixa agoniada, nervosa, envergonhada, insegura. Já a minha mente inquieta encontra descanso quando vê um papel e uma caneta. Ela se organiza. Respira. Se traduz.
Só Deus sabe quantos textos moram em cadernos espalhados pelo meu quarto. Confissões que nunca ganharam plateia. Diálogos que só o céu escutou.
Às vezes, essa mente que pensa sobre tudo escreve roteiros mirabolantes no meio da noite. A insônia chega sem pedir licença, batendo forte na porta que eu mesma deixei entreaberta. E eu fico ali, refém dos “e se”.
Ah, os “e se”…
Queria saber como funciona desligar as vozes que insistem em produzir cenários improváveis, debates intermináveis, possibilidades infinitas. Já que gritar com não funciona mais, pois elas se multiplicam. De duas, tornam-se quarenta. Conversam entre si, apresentam argumentos elaborados, constroem monólogos dignos de Shakespeare, e eu, no meio disso tudo, só penso:
Eu quero dormir!!!
Alguns chamam de “alma de artista”. Eu, às vezes, chamo de cansaço. Porque há dias em que eu só queria silêncio. Não formar opinião sobre nada. Não reagir a tudo. Ser a moça delicada e misteriosa que observa mais do que fala.
Mas minha mente inquieta não foi feita para o silêncio fácil. Ela começa a falar sem parar, a se revoltar sem motivo claro, a quase chorar por possibilidades que nem existem.
E, no fundo, o que eu mais queria era ser simples e que todas essas vozes se calassem por alguns minutos.






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