
Eu carrego no peito uma vontade quase inexplicável de ser planeta!
Não importa qual! Talvez o planeta da Grazi, um lugar onde eu possa orbitar na minha própria frequência, onde meus sentimentos não me dominem, mas sejam parte de um sistema que eu mesma compreendo. Onde eu seja, enfim, soberana de tudo o que existe em mim.
Há em mim esse desejo de ser inteira, de me possuir por completo; com minhas loucuras, minhas vontades, meus silêncios. E criar um mundo só meu, onde eu governe com delicadeza, mas também com firmeza. Um mundo em que tudo faça sentido, ainda que só para mim…
Quero explorar cada canto desse planeta interno.
Desvendar os territórios que nem sempre são fáceis de acessar, compreender as minhas próprias contradições, acolher as partes que só eu consigo entender. Quero transformar minhas estranhezas em paisagens e minhas emoções em constelações.
Nesse planeta, eu decretaria feriados quando o cansaço batesse.
Paralisaria o tempo nos dias em que o mundo pesa demais. Procrastinaria sem culpa, sem o relógio me acusando, sem a pressa me sufocando.
Ser planeta também é encarar a própria imensidão, e reconhecer que dentro de mim existem espaços vastos. Alguns belos, outros hostis. Lugares onde o sol nasce todos os dias e outros onde só há noites. E tudo bem.
Porque ser dona desse planeta é também ser dona dos tesouros e das ruínas.
Dos dias de luz e dos desastres internos. É aceitar que crescer, às vezes, significa reconstruir o que desmoronou. É querer expandir, mesmo quando tudo parece pequeno demais.
Mas, no fundo, existe um desejo quase egoísta, que é viver só nesse planeta. Apenas eu e a minha imaginação. Sem invasores, sem interferências, sem vozes externas bagunçando a minha órbita tão cuidadosamente desenhada.
Talvez aqui, na Terra, minha rotina pareça estranha.
Mas lá, no planeta que existe dentro de mim, ela seria perfeitamente normal.
E todos os dias, sem falhar, essa vontade volta:
a vontade louca de fugir… e ser planeta!!!






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