Segredos de Travesseiro

Existe uma linha muito tênue entre sermos fechados demais e abertos demais. Entre guardar tudo para nós e entregar ao outro até aquilo que talvez devesse permanecer em silêncio. E, sinceramente, acho que amadurecer também passa por aprender a encontrar este equilíbrio…

Pois vivemos em um tempo em que ser “transparente” parece quase uma obrigação. Compartilhamos sentimentos, medos, vontades e dores como se toda emoção precisasse ser imediatamente exposta para ter validade. Mas será que tudo realmente precisa ser dito? Será que toda intensidade precisa encontrar um ouvinte?

Há pensamentos que pertencem apenas a nós. Segredos que não nascem para ser compartilhados, não por vergonha, mas porque carregam uma profundidade que poucas pessoas seriam capazes de compreender. Existem dores, inquietações e até sonhos que precisam amadurecer no silêncio antes de serem colocados diante do mundo.

O fato é que ser um livro completamente aberto nem sempre é bonito… e talvez nem seja saudável! Algumas partes da nossa alma precisam continuar sendo território sagrado. E nem todo mundo merece acessar aquilo que existe de mais vulnerável dentro de nós.

Os nossos “segredos de travesseiro” são importantes. Aquelas conversas silenciosas que temos conosco mesmos durante a madrugada, quando a mente insiste em revisitar sentimentos, lembranças e perguntas sem resposta. Conversas solitárias, quase invisíveis, mas profundamente necessárias. Afinal, são elas que organizam o caos interno e que nos ajudam a entender quem somos quando não existe ninguém olhando.

Existe uma beleza discreta em preservar certos mistérios. Em compreender que até mesmo os amigos mais próximos não precisam conhecer absolutamente tudo sobre nós. Há muros emocionais que não são sinônimo de frieza, mas de sabedoria. Por fim, eu acredito que limites também são formas de cuidado.

Pois, nem toda loucura da mente precisa ganhar voz. Nem toda intensidade precisa ser explicada. Algumas coisas encontram sentido apenas dentro do nosso próprio silêncio…..

Talvez preservar pequenos segredos seja uma forma de manter viva aquilo que chamamos de sanidade. Porque, no fim, existem batalhas internas que não precisam de plateia, mas apenas de acolhimento dentro de nós mesmos.


Descubra mais sobre Confusidades

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Prazer, Grazi

Seja bem-vindo ao meu cantinho!
Por aqui, compartilho minhas melhores leituras, escrevo contos, crônicas e reflexões sobre esse mar de confusidades que é a vida. Sinta-se à vontade para navegar comigo por entre palavras, sentimentos e histórias.

Vamos nos conectar