Resenha: O circo da noite

Existem alguns livros que terminamos com uma opinião muito clara: amamos ou odiamos. Entretanto, O Circo da Noite, de Erin Morgenstern, definitivamente não é um deles. Fechei a última página e fiquei com uma sensação curiosa: ainda não sei dizer se gostei ou não da experiência.

Mas sai com uma certeza: o verdadeiro protagonista dessa história é o próprio circo.

A obra mistura fantasia, romance e realismo mágico para contar a disputa entre dois jovens mágicos, Marco e Célia. Presos em uma competição criada por seus mentores desde a infância, eles precisam enfrentar um desafio cujas regras nunca ficam totalmente claras. Enquanto isso, o misterioso Circo da Noite surge como palco para essa disputa, encantando todos que cruzam seus portões.

A narrativa acompanha diferentes personagens ligados ao circo, enquanto Marco e Célia desenvolvem sua magia em segredo. Aos poucos, aquilo que começou como uma competição transforma-se em algo muito maior, principalmente quando os dois acabam se apaixonando.

Ao mesmo tempo, conhecemos artistas, visitantes e pessoas cujas vidas são profundamente transformadas pelo circo. Entre elas, alguns personagens roubam completamente a cena e tornam esse universo ainda mais fascinante.

Para mim, o maior acerto do livro, sem dúvida, é sua atmosfera.

Pois, O Circo da Noite é descrito com tantos detalhes que parece um personagem vivo. Cada tenda, cada espetáculo e cada elemento mágico despertam curiosidade. É impossível não querer caminhar por aqueles corredores e descobrir os segredos escondidos em cada apresentação.

Por outro lado, a estrutura narrativa foi um obstáculo para mim. Já que a história não segue uma ordem cronológica e alterna constantemente entre diferentes anos e pontos de vista, obrigando o leitor a montar o quebra-cabeça sozinho. Embora essa escolha faça sentido dentro da proposta do livro, em diversos momentos ela tornou a leitura cansativa.

Outro ponto que me deixou um pouco frustrada foi o romance. Para mim, Marco e Célia deveriam representar o coração emocional da narrativa, afinal, o relacionamento entre eles desencadeia acontecimentos fundamentais para a trama. No entanto, não consegui criar uma conexão com o casal. Faltou química, desenvolvimento e, principalmente, motivos para acreditar que aquele amor era tão intenso quanto a história queria transmitir.

Em compensação, como comentei no início, alguns personagens secundários conquistaram meu coração.Os gêmeos Murray e Bailey foram, para mim, um dos pontos altos da narrativa. A dinâmica entre eles trouxe emoção, leveza e renovou meu interesse sempre que apareciam na história.

Também preciso destacar a escrita de Erin Morgenstern. Ela possui uma narrativa extremamente envolvente e elegante. Mesmo quando a história parecia caminhar lentamente, a beleza da escrita fazia com que eu continuasse virando as páginas quase sem perceber.

Outro detalhe interessante é que os direitos de adaptação audiovisual já foram vendidos. E confesso que estou muito curiosa para ver essa história nas telas, porque acredito que toda a magia visual do circo poderá ganhar uma dimensão ainda mais impressionante.

O Circo da Noite é uma leitura diferente da maioria das fantasias que já li. Não é um livro focado na ação, mas na atmosfera, na contemplação e na construção de um universo mágico.

Apesar de não ter me conectado com o romance e de a narrativa não linear ter exigido bastante paciência, considero uma leitura que vale a pena justamente pela experiência que proporciona.

Ainda não sei dizer se amei o livro ou apenas admirei tudo o que ele construiu. Talvez essa seja justamente a magia de O Circo da Noite: ele permanece com você mesmo depois da última página.


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