
Mais uma vez acordei atrasada. Pulei da cama no automático, tomei um banho rápido e saí correndo para não perder o ônibus. No meio da pressa, um pequeno milagre: um assento vazio me esperava. Sentei, encostei a cabeça na janela e, enquanto o mundo passava lá fora, comecei a observar as pessoas.
É curioso, ou talvez triste, perceber como as manhãs são silenciosas. Não pelo barulho, mas pela ausência de gentileza. Ninguém se olha. Ninguém se cumprimenta. Ninguém deseja um simples “bom dia”. Fico pensando… e se o mundo fosse diferente? E se tudo começasse, simplesmente, com um bom dia?
O ônibus seguiu seu caminho até que, enfim, cheguei ao meu ponto. Hora de encarar mais um dia, mais uma rotina. Caminhando pela mesma rua de sempre, notei algo — ou melhor, alguém — que nunca tinha visto antes. Um senhor, de cabelos grisalhos e sorriso largo, estava ali. Parado na calçada, cumprimentava cada pessoa que passava. Com um bom dia genuíno, acompanhado de um olhar que parecia dizer: “Você é visto. Você importa.”
Naquele instante, me perguntei: será que ele também carrega a esperança silenciosa de que um gesto simples ainda pode transformar alguma coisa neste mundo? Será que ele também escolheu, todos os dias, ser a diferença que tanto espera?
Desde aquele dia, algo mudou em mim. Passei a sorrir mais. A desejar bom dia a quem cruzava meu caminho. A ser mais leve, mais presente. E, sem perceber, aquele gesto singelo não transformou apenas os meus dias, mas minha e quem sabe quantos mais também foram tocados?
No fim, há coisas que são tão simples… mas, quando colocadas em prática, tornam-se gigantes. Um sorriso, um olhar, uma palavra gentil. Isso, sim, tem o poder de mudar muita coisa.
Talvez tudo comece assim.
Com um sorriso.
Com um bom dia.
E se a gente tentasse?







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