
Meu primeiro contato com a literatura coreana foi através de Amêndoas, de Sohn Won-pyung, e confesso que saí bem impactada. A leitura é, ao mesmo tempo, delicada e pesada. É uma narrativa que toca fundo e nos faz refletir sobre a nossa própria vida.
O livro conta a história de Yunjae, um jovem com uma condição rara no cérebro: suas amígdalas são subdesenvolvidas desde o nascimento. Essas estruturas, que se parecem com pequenas amêndoas (daí o título), são responsáveis por processar nossas emoções. Por isso, Yunjae foi diagnosticado com alexitimia, a incapacidade de identificar e expressar sentimentos como medo, tristeza ou raiva.
Sua mãe percebe desde cedo que o filho é diferente e busca apoio médico para entendê-lo. Ela, junto com a avó, se dedica a ensinar ao menino como deveria reagir às emoções, mesmo sem senti-las de fato. Mas uma tragédia muda tudo: Yunjae perde a mãe e a avó, ficando sob os cuidados de um vizinho, o Dr. Shim, que se torna seu guia de vida.
Na escola, Yunjae sofre bullying constante, até que, de forma inesperada, acaba criando uma amizade improvável com Gon, um de seus agressores. Mais tarde, surge Dora, uma jovem corredora que desperta nele sensações desconhecidas. É a partir desses encontros que Yunjae começa a explorar o que significa, afinal, viver.
Algumas críticas apontam que o livro não se aprofunda em certos aspectos. Porém, acredito que isso faz parte da proposta: a história é contada do ponto de vista de alguém incapaz de sentir. Não há como ser profundo quando o narrador compreende o mundo pelo raso.
A beleza de Amêndoas está justamente nisso. Tudo o que Yunjae não sente, nós, leitores, sentimos em dobro. É impossível sair indiferente dessa leitura.
Foi uma experiência rápida e envolvente, mas não tão leve quanto imaginei. Acompanhar Yunjae nos faz olhar para nossa própria vida e pensar nas mudanças que ainda podemos fazer.
Minha nota foi 4,5 estrelas no Skoob.
E você, já leu Amêndoas? O que achou da história de Yunjae?







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