Conhece-te, Aceita-te, Supera-te.

Anos atrás, me deparei com uma frase atribuída a Santo Agostinho que nunca mais saiu da minha mente:

“Conhece-te, aceita-te e supera-te.”

É curioso como algumas frases permanecem ecoando dentro de nós por anos. Essa foi uma delas. Tanto que hoje em dia a levo tatuada em meu pulso para nunca esquecê-la. O fato é que, com o tempo, percebi que essas três pequenas expressões carregam uma profundidade enorme!! E talvez resumam uma das jornadas mais difíceis da vida humana: o caminho do amadurecimento.

Refletindo sobre isso, comecei a escrever pequenos textos sobre cada uma dessas etapas e sobre como elas atravessaram minha própria história. E compartilho essas pequenas “pilulas de sabedoria” com vocês:

Conhece-te

Quantas vezes tentamos fugir de nós mesmos? Eu digo por mim: durante muito tempo, tive medo da solidão. Não porque odiava estar sozinha, mas porque o silêncio me obrigava a encarar quem eu realmente era. E isso me assustava…

Eu buscava me cercar de vozes, conversas, distrações e pessoas para não precisar ouvir a minha própria voz. Fugir de si mesmo parece mais fácil quando o barulho do mundo consegue abafar os nossos pensamentos.

Mas chega um momento em que não há mais para onde correr…..

E aí que entra o autoconhecimento, que nos coloca frente a frente com nossas falhas, inseguranças, feridas e limitações. E isso dói. Dói perceber que, muitas vezes, nem sabemos do que gostamos de verdade. Dói descobrir quantas escolhas fizemos apenas para agradar os outros. Quantas vezes dissemos “sim” querendo dizer “não”. Quantas vezes aceitamos definições alheias simplesmente porque não fazíamos ideia de quem éramos.

Quando não nos conhecemos, nos tornamos aquilo que os outros dizem que somos...

E talvez esse seja um dos maiores perigos da falta de identidade: viver uma vida construída pela opinião alheia.

O autoconhecimento é um processo profundamente ligado à maturidade. E ele não acontece de uma vez só. Na verdade, acho que estamos constantemente descobrindo novas partes de nós mesmos. Eu mesma ainda me surpreendo com coisas que descubro sobre mim.

O fato é que cada pessoa vive esse processo em um tempo diferente. Talvez você tenha 18 anos e já conheça boa parte da sua essência. Ou talvez tenha 30 e ainda esteja tentando entender quem é. E tudo bem….

Pois isso, nem sempre esse tempo está em nossas mãos. Muitas vezes, ele está nas mãos de Deus.

E é justamente aqui que minha relação com Deus se torna ainda mais importante. Porque, ao nos conhecermos, também conseguimos nos aproximar mais d’Ele. Conseguimos fazer orações mais sinceras, abrir o coração sem máscaras e entregar nossas fraquezas reais.

Olhar para dentro de si exige coragem. Mas, é somente quando fazemos isso que deixamos de depender da opinião dos outros para descobrir quem realmente somos.

Aceita-te

Depois de nos conhecermos, talvez venha uma etapa ainda mais difícil: a aceitação.

Porque descobrir quem somos nem sempre significa gostar imediatamente do que encontramos. E aqui vem um relato pessoal. Pois, durante muito tempo, eu não me aceitava. Tinha vergonha de partes da minha personalidade. Achava que precisava me encaixar em determinados padrões para ser considerada “correta”, “madura” ou até mesmo “modesta”.

Eu queria ser a mulher misteriosa, silenciosa, que fala pouco e nunca demonstra intensidade demais. Também queria ser aquela pessoa completamente desligada das redes sociais, discreta o tempo inteiro, quase invisível. E nessa de querer ser quem eu não era, comecei a abandonar minha essência, tentando me encaixar em versões de mim que nunca foram reais.

E o mais doloroso é que eu acreditava que precisava fazer isso para ser aceita pelos outros. Mas, no fundo, quem não me aceitava era eu mesma…..

O fato é que aceitar-se não significa acreditar que somos perfeitos. Significa compreender que fomos criados por Deus com uma identidade única, e que isso não é um erro!

É entender que algumas pessoas irão nos amar exatamente pelo que somos, enquanto outras talvez se afastem pelo mesmo motivo. E tudo bem….

Pois aceitar-se também é reconhecer nossos defeitos, mas sem ignorar nossas qualidades. Porque, às vezes, tentamos esconder até aquilo que temos de bonito por medo de parecermos “demais”. Aceitar-se é parar de viver em comparação constante.É olhar para si com misericórdia e entender que existe beleza até na nossa imperfeição. E talvez seja justamente aí que começamos a florescer…..

Supera-te

E agora, a última e mais difícil parte dessa história, o superar-se! Recentemente ouvi uma frase que explica perfeitamente esta etapa:

“Deus te ama como você é, mas te ama demais para te deixar como você está.”

E acho que ela complementa perfeitamente a fase do “Supera-te”.

Porque aceitar-se não significa permanecer estagnado. Não significa usar a frase “eu sou assim” como desculpa para nunca mudar. Pois, depois de nos conhecermos e nos aceitarmos, surge um novo chamado: superar a nós mesmos.

Superar-se é reconhecer nossas limitações e decidir trabalhar nelas. É cultivar virtudes, amadurecer emoções, fortalecer aquilo que existe de bom em nós e permitir que Deus transforme aquilo que precisa ser transformado.

Mas existe algo importante nisso tudo: Deus não quer destruir nossa essência. Muitas vezes acreditamos que amadurecer espiritualmente significa nos tornarmos pessoas completamente diferentes, encaixadas em um padrão inalcançável de perfeição. Mas Deus não deseja cópias. Ele não quer que todos os seus filhos sejam iguais.

O que Ele deseja é nos moldar sem apagar quem somos. Ele é como um jardineiro cuidadoso: apenas poda os galhos secos, fortalece as raízes, ilumina os cantos esquecidos e rega aquilo que ainda pode florescer. Por isso, Ele só nos pede confiança nele.

Pois superar-se é compreender que a santidade não é deixar de ser humano, mas permitir que Deus aperfeiçoe aquilo que existe dentro de nós.

É não se acomodar, mas tentar ser melhor do que ontem, mesmo sabendo que ainda estaremos longe da nossa melhor versão de amanhã.

Talvez a santidade comece justamente nesses pequenos passos silenciosos: conhecer-se, aceitar-se e superar-se todos os dias.

Que Deus nos conceda coragem para viver esse processo com sinceridade, paciência e fé!


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